A tentativa do governo Trump de transformar Bolsonaro em vítima ruiu, e agora sobra apenas a fuga retórica para escapar do vexame

Trump apostou todas as fichas numa mentira mal costurada: transformar Bolsonaro em vítima de Alexandre de Moraes. Repetiu a ladainha de que, se o Brasil não desmontasse o STF, cairíamos no “abismo da Venezuela”. Pois bem: deu errado. Deu errado a pressão diplomática, deu errado o discurso e deu errado a tentativa de impor medo. O Brasil não se curvou.

E quando a retórica fracassa, sobra apenas a vergonha. Trump agora procura uma saída honrosa para abandonar a bobagem em que se meteu. O truque? Simples: copiar uma estratégia já conhecida. A mesma que a esquerda usava para dialogar com o eleitor arrependido do bolsonarismo. A lógica era clara: “você não tem culpa, qualquer um no seu lugar cairia nesse esquema de comunicação, a Rede Globo falava, todo mundo repetia”. Uma narrativa de absolvição para permitir ao sujeito largar o erro sem ferir o ego.

É exatamente isso que está em curso. Trump percebeu que a mentira da perseguição a Bolsonaro não cola mais e arma sua escapatória: “eu também fui vítima, me induziram ao erro”. Mas a delícia dessa história está no detalhe. Quem teria induzido Trump a esse vexame? Eduardo Bolsonaro? Paulo Figueiredo? Não. A decisão foi dele. O governo Trump resolveu interferir diretamente no Brasil e apenas escolheu dois vassalocratas de aluguel como correia de transmissão.

A conclusão é inevitável: a farsa desmoronou. Bolsonaro segue encurralado, o STF mantém-se firme e Trump, derrotado, precisa reinventar sua retórica para não admitir o óbvio — que errou, perdeu e agora tenta escapar pela tangente. A narrativa golpista apodreceu, e o vexame é todo dele.

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