Relator da CPI do Crime Organizado diz que relações de ministros do STF no caso Banco Master “precisam ser explicadas”
Senador Alessandro Vieira afirma que contratos e possíveis vínculos de magistrados com o banco investigado pela CPI exigem esclarecimentos, e admite impeachment se Judiciário não colaborar

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado no Senado, afirmou nesta terça-feira que a comissão **pretende apurar e exigir explicações sobre relações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o caso Banco Master, que virou um dos principais escândalos financeiros em 2025 e 2026 no país. A declaração foi dada em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista Veja.
Vieira citou especificamente problemas na conduta dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ambos envolvidos de alguma forma nas fases processuais relacionadas à investigação sobre o banco, e disse que contratos, valores e relações que surgiram nas apurações precisam ser explicados à CPI.
O parlamentar destacou que, caso o STF e o Poder Judiciário não atendam aos pedidos de esclarecimento, a comissão pode atuar de forma mais incisiva: “Se (o Judiciário) não fizer isso, você vai ter um agravamento dessa crise institucional e uma demonstração cabal de que o caminho restante será o impeachment. O que não pode numa democracia de verdade é você ter pessoas que estão acima da lei, que não podem ser investigadas.”, afirmou Vieira.
Escopo das investigações
Vieira sugeriu que a CPI pode estender sua investigação não apenas aos atos dos ministros em si, mas também às relações familiares de magistrados que, segundo ele, mantinham negócios com o Banco Master, a instituição que entrou em colapso financeiro e foi alvo de liquidação extrajudicial em 2025 após irregularidades profundas.
Ele argumentou que há indícios de uma estrutura de influência que teria buscado acesso privilegiado ao poder — seja executivo, legislativo ou judiciário — por meio de contratos com escritórios de advocacia ligados a pessoas próximas a autoridades e outros mecanismos.
A declaração de Alessandro Vieira ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o caso Banco Master, que já mobilizou debates sobre regulação financeira, atuação do Banco Central, atuação da Polícia Federal e possíveis vínculos com figuras públicas em diferentes esferas de poder.
Repercussões
A manifestação do relator da CPI atraiu atenção de parlamentares e setores jurídicos, que passaram a discutir a abrangência das investigações e a relação entre comissões parlamentares e as atribuições das cortes superiores. Uma das questões centrais é até que ponto a CPI pode demandar informações ou explicações de autoridades que, por prerrogativas legais, não estão sujeitas à instrução direta da comissão.
Até o momento, ministros do STF citados por Vieira não emitiram respostas públicas às declarações do relator, e o tribunal não se posicionou oficialmente sobre a possibilidade de prestar esclarecimentos formais à CPI sobre as relações mencionadas.
