Ex-primeira-dama incentiva nome de Rosana Valle para a corrida ao Senado em São Paulo, enquanto Eduardo Bolsonaro defende aliados próximos, gerando tensão interna no PL

O apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) à candidatura da deputada federal Rosana Valle (PL) na disputa pelo Senado em São Paulo gerou um acirramento de atritos políticos com o filho, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), ampliando as divergências dentro da família e do partido em meio às articulações eleitorais de 2026.

A manifestação de Michelle Bolsonaro — presidente nacional do PL Mulher — de apoiar Rosana Valle, com quem estreitou relacionamento por causa da atuação da sigla feminina, contrasta com a estratégia defendida por Eduardo Bolsonaro, que tem pressionado por nomes de sua confiança para “substituí-lo” na corrida ao Senado em São Paulo, um dos estados chaves para a direita nas eleições deste ano.

Divergência de estratégias no PL

Segundo relatos da imprensa, Eduardo vinha sendo cotado como candidato à vaga antes de se mudar para os Estados Unidos, onde permanece enquanto responde a investigações no Supremo Tribunal Federal. Em sua ausência, ele passou a defender a indicação de aliados como o deputado estadual Gil Diniz e outros políticos próximos, incluindo Paulo Mansur, Marco Feliciano e Mário Frias, todos do PL, para a disputa pelo Senado.

Por outro lado, Michelle Bolsonaro tem incentivado a candidatura de Rosana Valle, que historicamente atua no PL Mulher e recentemente mostrou desempenho positivo em pesquisas internas do partido. A defesa de um nome considerado mais moderado e com potencial de atrair segmentos diversos do eleitorado — inclusive eleitores evangélicos — é vista por interlocutores como uma tentativa de ampliar a competitividade da legenda em São Paulo.

Ramificações internas e impacto eleitoral

A discordância pública entre Michelle e Eduardo Bolsonaro expõe divergências estratégicas internas no PL sobre como construir chapas que reforcem a presença da direita tanto na esfera estadual quanto nacional. A disputa pelo Senado em São Paulo ocorre em um momento em que aliados tentam consolidar palanques equilibrados para enfrentar candidatos de outros campos políticos nas eleições de outubro.

Aliados de Eduardo argumentam que os nomes por ele defendidos teriam maior alinhamento com as posições políticas do grupo Bolsonaro tradicional, enquanto apoiadores de Rosana Valle apontam que sua indicação poderia fortalecer a presença feminina e ampliar apoios em segmentos da sociedade que buscam representação mais diversificada.

O clima de disputa entre lideranças bolsonaristas pode influenciar outras nomeações e decisões internas do PL, especialmente no estado de São Paulo, onde a corrida ao Senado é considerada estratégica para o desempenho eleitoral nas eleições gerais de 2026.

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