Em dezembro de 2025, advogado representou empresa investigada por fraudes em crédito consignado associado ao Master, enquanto seu pai ocupava o Ministério da Justiça

O advogado Enrique de Abreu Lewandowski, filho do então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, atuou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em dezembro de 2025, em favor da Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A., uma empresa que tinha relações com o Banco Master e estava envolvida em investigações sobre fraudes em empréstimos consignados a servidores públicos em Mato Grosso.

O caso ganhou atenção porque ocorreu enquanto Ricardo Lewandowski ainda ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — posição que ele deixou em 8 de janeiro de 2026. A atuação de Enrique apareceu em um pedido de tutela cautelar no STJ questionando a suspensão do cadastro da Capital Consig para conceder crédito consignado a servidores, procedimento no qual ele figurou formalmente como advogado da companhia.

Conexões com o Banco Master

A atuação do filho de Lewandowski ocorre em meio a um contexto mais amplo de investigações e polêmicas envolvendo o Banco Master, que enfrentou colapso financeiro e foi alvo de liquidação extrajudicial em novembro de 2025. A Capital Consig, empresa defendida por Enrique Lewandowski, é apontada como fornecedora de créditos que acabaram integrando carteiras ligadas ao Master, gerando questionamentos sobre práticas de crédito e governança no setor consignado.

Além disso, relatos publicados na imprensa indicam que o escritório da família Lewandowski teve um contrato de consultoria com o Banco Master que rendeu ao longo de cerca de 21 meses algo na casa de R$ 5 milhões a R$ 6,5 milhões, apesar de a defesa afirmar que o pai do advogado não exerceu atividade de conselheiro ou recebeu diretamente valores enquanto ministro.

Posição de Ricardo Lewandowski

Ricardo Lewandowski, procurado pela imprensa, negou qualquer conhecimento sobre a peça jurídica específica no STJ em que seu filho atuou e ressaltou que se afastou da advocacia e teve seu registro junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspenso ao assumir o cargo de ministro, conforme determina a legislação vigente. A assessoria de Enrique foi procurada, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Repercussão no debate público

A revelação de que o filho de um ministro atuou em um tribunal superior em questões ligadas a empresas envolvidas no caso Banco Master intensifica o debate político e jurídico em torno da crise que envolve o banco, práticas de crédito consignado e potenciais conflitos de interesse entre setores públicos e empresas investigadas. A situação alimenta discussões sobre transparência, ética e limites de atuação de familiares de autoridades em processos judiciais de grande impacto.

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