Biomm, empresa com participação do banqueiro envolvido na crise do Banco Master, assinou acordos de mais de R$ 300 milhões com o Ministério da Saúde para fornecimento de insulina ao SUS em 2025

A Biomm, empresa brasileira de biotecnologia especializada na produção de insulinas e com participação acionária significativa do empresário Daniel Vorcaro — fundador e ex-controlador do Banco Master — firmou em 2025 contratos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que somam pelo menos R$ 303,65 milhões, voltados ao fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS), segundo informações de veículos que acompanharam os fatos divulgados nesta quinta-feira.

Os acordos com o Ministério da Saúde incluem um contrato de R$ 142 milhões, assinado em 30 de junho de 2025, para o fornecimento de insulina humana ao SUS com vigência inicial de um ano e possibilidade de prorrogação, e um segundo contrato, datado de 3 de novembro de 2025, de aproximadamente R$ 131 milhões para a entrega de insulina glargina ao sistema público de saúde. Além disso, consta um termo contratual para a compra de 2,01 milhões de doses de insulina glargina, no valor de cerca de R$ 30,65 milhões.

Debate político e repercussões

Os contratos foram firmados em um contexto de intensa atenção pública ao caso Banco Master, que envolve apurações da Polícia Federal, do Banco Central e debate político sobre irregularidades financeiras de grandes proporções no sistema financeiro brasileiro. Por sua ligação ao banqueiro Vorcaro — cuja instituição passou por liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 2025 — os contratos da Biomm têm sido alvo de questionamentos por setores da oposição política e parte da imprensa, que apontam coincidências entre negócios privados e visitas de Vorcaro ao Palácio do Planalto em anos anteriores.

Representantes da Biomm, em notas públicas, afirmaram que a companhia é de capital aberto e pulverizado e que não possui um acionista controlador isolado, ressaltando que a governança corporativa não permite interferência direta de acionistas individuais. A empresa também destacou que os processos que geraram os contratos seguiram normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, incluindo critérios de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e procedimentos de competição por meio de pregões eletrônicos — mecanismos previstos em licitações públicas.

Fornecimento de insulina e produção nacional

Os contratos com o governo federal fazem parte de esforços para reforçar a produção nacional de insulina e evitar desabastecimento do medicamento essencial para pacientes diabéticos, uma área estratégica para políticas de saúde pública. A Biomm já havia sido tema de destaque em inaugurações e eventos oficiais, incluindo participação do próprio presidente Lula em inauguração de fábrica em Nova Lima (MG) em abril de 2024, o que colocou a companhia em evidência no debate sobre capacidade produtiva nacional de insulinas.

A repercussão dos contratos com a Biomm ocorre em meio ao acirramento de debates políticos sobre transparência e governança em contratos públicos de grande valor, às vésperas do ciclo eleitoral de 2026, no qual atores de oposição têm explorado o tema como parte de críticas à gestão federal.

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