Polícia Federal investiga suposta campanha digital que teria usado influenciadores para defender o Banco Master e criticar o Banco Central após a liquidação da instituição

A Polícia Federal (PF) instaurou, nesta quarta-feira (28/01/2026), um inquérito para apurar a suposta contratação de influenciadores digitais com o objetivo de promover conteúdos favoráveis ao Banco Master e hostis ao Banco Central (BC) nas redes sociais após a liquidação da instituição financeira pelo órgão regulador. A investigação tramita em sigilo e está a cargo da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) da PF.

Segundo a investigação, um volume considerado atípico de postagens nas redes sociais relacionado à crise do Master — que foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 pela autoridade monetária após indícios de irregularidades financeiras — chamou a atenção de monitoramentos institucionais e motivou a abertura formal do inquérito.

Suposta campanha nas redes

A abertura do inquérito ocorre após relatos de influenciadores afirmarem que teriam sido procurados para produzir conteúdos direcionados a defender a imagem do banco e criticar a atuação do Banco Central, sobretudo a decisão de liquidação. Esses conteúdos, publicados por perfis com grande número de seguidores, teriam criticado a atuação da autoridade monetária e questionado a legitimidade da intervenção no banco.

Antes da formalização do inquérito, a PF já havia realizado uma análise preliminar das denúncias e identificado indícios da prática de possíveis crimes, o que motivou a instauração do procedimento investigativo.

A investigação segue sob sigilo e pode envolver convocações de influenciadores, análise de contratos e diligências para verificar a participação, coordenação e eventual financiamento de campanhas digitais relacionadas ao caso. Até o momento, a corporação não divulgou nomes específicos ou detalhes sobre as personas envolvidas.

Contexto do caso Banco Master

O Banco Master, liderado pelo empresário Daniel Vorcaro, é alvo de uma série de investigações que envolvem supostas fraudes financeiras e irregularidades na emissão e negociação de carteiras de crédito consignado. A liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central levou a uma ampla repercussão e a uma série de apurações da Polícia Federal, incluindo a Operação Compliance Zero.

Repercussão e implicações legais

Especialistas em direito penal e tecnologia afirmam que a contratação de influenciadores para divulgar conteúdos pagos não é ilegal em si, mas a falta de transparência sobre o caráter patrocinado de publicações pode configurar publicidade disfarçada ou práticas enganosas, dependendo das circunstâncias e da forma como a campanha foi conduzida.

Além disso, a investigação levanta questionamentos sobre a possível coordenação de uma campanha digital organizada com fins de pressionar órgãos públicos ou influenciar percepções sobre decisões regulatórias, o que pode ter implicações jurídicas relevantes caso comprovado.

Até o momento, nem a Polícia Federal nem os envolvidos ou supostas partes contratantes emitiram posicionamento oficial sobre o inquérito instaurado. A apuração do caso continua em andamento sob sigilo.

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