Ex-presidente do BC indicado por Bolsonaro teria tentado “abafar” escândalo do Banco Master
Levantamento de bastidores apresentado em vídeo sugere que Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, teria atuado de forma cautelosa diante dos primeiros sinais da crise, gerando críticas à atuação da autoridade monetária.

Uma reportagem em formato de vídeo publicada por Revista Fórum relata que o então presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, indicado pelo governo de Jair Bolsonaro, teria adotado uma postura considerada **cautelosa ou de tentativa de “abafar” os sinais iniciais da crise envolvendo o Banco Master, antes de sua liquidação extrajudicial em 2025. A matéria foi destaque nesta sexta-feira.
O conteúdo veiculado aponta que, diante de alertas e dados internos sobre a deterioração da situação financeira do banco controlado por Daniel Vorcaro, a autoridade monetária teria optado por medidas menos drásticas em momentos críticos, o que, segundo críticos, pode ter postergado uma intervenção mais enérgica que pudesse antecipar ou mitigar o colapso da instituição.
Contexto do caso Banco Master
O Banco Master foi alvo de intensa apuração por parte de órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal, e acabou sendo liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, após indícios de graves irregularidades e incapacidade de honrar compromissos financeiros. O episódio tornou-se um dos maiores escândalos bancários do Brasil em anos recentes.
A atuação do Banco Central e de suas lideranças à época tem sido alvo de debates públicos e políticos, com setores críticos questionando se medidas mais antecipadas poderiam ter evitado a dimensão da crise que se seguiu — inclusive a necessidade de acionamento massivo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para proteger depositantes e investidores após a liquidação.
Campos Neto, economista indicado por Bolsonaro para liderar o BC em 2019, encerrou seu mandato em 31 de dezembro de 2024, e sua gestão no Banco Central incluiu altos e baixos no panorama econômico brasileiro, com destaque para iniciativas de modernização regulatória em vários setores, embora a crise do Master tenha se tornado um ponto particularmente controverso.
Repercussão da reportagem
A reportagem que relaciona Campos Neto à administração cautelosa dos sinais de crise reacende questionamentos sobre a atuação dos órgãos reguladores em momentos de instabilidade financeira. Especialistas em regulação financeira costumam destacar que a autonomia do Banco Central precisa ser acompanhada por respostas técnicas eficazes diante de sinais de risco, para evitar impactos mais amplos ao sistema econômico.
Até o momento, não há posicionamento oficial de Campos Neto ou de representantes do Banco Central sobre as alegações levantadas na reportagem, nem confirmações públicas detalhadas sobre as decisões específicas que antecederam a liquidação do Banco Master.
