Ex-ministro publica artigo dizendo que colapso do Banco Master expõe fragilidades do sistema financeiro e falhas regulatórias sustentadas por elites financeiras

O ex-ministro José Dirceu afirmou que a chamada Faria Lima — referência ao centro financeiro de São Paulo onde estão grandes bancos e gestoras de investimento — foi “fiadora da irresponsabilidade” que culminou no colapso do Banco Master, em um artigo publicado recentemente em jornal nacional. Segundo ele, o episódio não pode ser tratado como um problema isolado de uma única instituição, mas como resultado de fragilidades estruturais do mercado financeiro brasileiro.

Dirceu sustenta que o caso Master, que levou à liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central e envolveu acionamento histórico do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), revela “uma crise estrutural da regulação do mercado financeiro e de capitais”. Segundo o ex-ministro, o modelo vigente teria promovido baixa supervisão, elevada opacidade e incentivos à tomada de riscos excessivos, transferindo prejuízos ao investidor comum.

Mercado autorregulado e regulação fraca

No texto, Dirceu critica a ênfase na autorregulação e a redução da atuação fiscalizadora de órgãos como o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), afirmando que a visão dominada pela lógica de mercado favoreceu estruturas financeiras complexas e arriscadas. Para ele, esse ambiente facilitou a proliferação de produtos financeiros apresentados como seguros, mesmo sendo de alto risco, e consolidou a crença de que o Estado interviria em caso de crise sistêmica.

O ex-ministro também fez críticas diretas à atuação da Faria Lima, argumentando que o discurso dominante no setor financeiro brasileiro teria desestimulado reforços regulatórios sob a justificativa de que isso atrasaria a inovação e prejudicaria o desenvolvimento econômico. Para Dirceu, isso acabou por premiar práticas irresponsáveis que colocaram em risco investidores e a estabilidade do sistema financeiro.

Demandas por reformas no sistema financeiro

Dirceu defende, no artigo, uma revisão profunda de mecanismos como o FGC, propondo mudanças na governança e na distribuição de responsabilidades entre instituições financeiras e garantidores de crédito, para evitar que o fundo continue a ser visto como uma garantia implícita que encoraja a tomada de riscos excessivos.

A crise do Banco Master, que mobilizou um volume recorde de garantias do FGC e expôs conexões entre instituições financeiras, plataformas digitais de investimento e estruturas opacas de mercado, gerou debates políticos e regulatórios intensos no Brasil nos últimos meses. A liquidação da instituição e as apurações em andamento pela Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, seguem no centro das discussões sobre supervisão de mercado e proteção ao investidor.

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