Em Roma, defesa da ex-deputada Carla Zambelli solicita substituição dos magistrados que analisam o pedido de extradição ao Brasil, atrasando novamente a definição do caso.

A Justiça italiana adiou mais uma vez a análise do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil, depois que a defesa pediu oficialmente a substituição dos juízes responsáveis pelo caso nesta terça-feira (20).

A audiência na Corte de Apelação de Roma terminou sem qualquer avanço no mérito sobre o pedido de extradição, que já vinha acumulando adiamentos por diferentes motivos. Agora, com o requerimento de troca do colegiado que analisa o processo, a Corte deverá definir um novo prazo para decidir se aceita ou não a contestação apresentada pela defesa. Enquanto isso, a tramitação da extradição fica suspensa.

Defesa alega parcialidade e busca recomeçar processo

Na audiência, os advogados de Zambelli argumentaram que os magistrados italianos demonstraram falta de imparcialidade ao conduzir o processo, apontando hostilidade em relação às solicitações de defesa e decisões negativas sobre pedidos anteriores. Caso o pedido de substituição seja aceito, o processo poderá ser reiniciado desde o início com um novo colegiado de juízes.

A defesa também criticou a condução dos magistrados e prepara a formalização da arguição de suspeição nos próximos dias, medida que tende a adiar ainda mais a tramitação do processo de extradição.

Zambelli compareceu à sessão em Roma, onde a Corte remarcou a definição da extradição para o mês de fevereiro de 2026, em meio à expectativa de uma nova audiência que irá reavaliar todos os pedidos e recursos apresentados.

Histórico do processo

A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil em dois processos: um que resultou em pena de mais de 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outro por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Após as condenações, Zambelli deixou o Brasil, passou pelos Estados Unidos e seguiu para a Itália, onde foi presa no final de julho de 2025.

Desde então, o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro tem sido alvo de sucessivos adiamentos na Justiça italiana, que já remarcou diversas datas para analisar o pleito. A defesa de Zambelli sustenta que há questões jurídicas e políticas envolvidas no processo, alegando perseguição, enquanto a Justiça italiana revisa provas, condições de cumprimento de pena e tramitação processual.

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