Presidente americano afirma que controle da Groenlândia é essencial para tecnologia de defesa avançada que pretende proteger os EUA contra mísseis, gerando críticas de aliados e rivais estratégicos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a aquisição da Groenlândia é “fundamental” para a construção e operação do ambicioso sistema de defesa antimísseis que ele chama de **“Domo de Ouro” — um escudo tecnológico que, segundo ele, protegeria os EUA de ataques de mísseis de países como Rússia e China. Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump justificou a necessidade do território no Ártico para a segurança nacional e internacional.

“Tudo o que queremos da Dinamarca, para segurança nacional e internacional, e para manter à distância nossos potenciais inimigos — muito enérgicos e perigosos — é esta terra onde construiremos o maior Domo de Ouro já feito”, declarou o presidente.

O que é o Domo de Ouro

O “Domo de Ouro” é um projeto proposto pelo governo Trump para criar um sistema de defesa antimísseis em múltiplas camadas, envolvendo uma rede de sensores e interceptores em terra, no espaço e possivelmente no mar. Inspirado no sistema israelense “Domo de Ferro”, mas muito mais amplo, ele pretende detectar e interceptar mísseis balísticos, hipersônicos e outras ameaças antes que alcancem o território dos EUA ou de aliados.

Esse sistema seria baseado em centenas de satélites e sensores espaciais, em conjunto com tecnologias de controle de fogo e interceptores capazes de reagir a lançamentos hostis. O custo estimado pelo governo americano gira em torno de US$ 175 bilhões, embora órgãos independentes indiquem que o valor poderia ser bem maior ao longo das próximas décadas.

Trump já afirmou que o sistema estaria “totalmente operacional” até o final de seu mandato, em 2029. No entanto, especialistas em defesa dizem que um projeto dessa magnitude não pode ser concluído em tempo tão curto e que os custos e desafios tecnológicos são enormes — inclusive porque um sistema “100 % eficaz” provavelmente não seria viável dentro de alguns anos.

Por que a Groenlândia?

A Groenlândia, um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, tem posição geográfica estratégica no Ártico, situada diretamente nas rotas que mísseis intercontinentais poderiam usar em caso de conflito com potências como Rússia e China. Isso a torna, sob a lógica do governo Trump, um ponto ideal para detectar movimentos de mísseis muito cedo — antes mesmo que esses alcancem o território continental dos EUA.

Apesar disso, a Groenlândia não está à venda e nem os governos dinamarquês ou gronelandês concordaram com qualquer transferência de soberania. Analistas também observam que os EUA já possuem bases militares e acordos que permitem operações avançadas no território sem necessidade de mudança formal de controle.

Quem lidera o projeto

O general Michael Guetlein, vice-chefe de operações espaciais da Força Espacial dos EUA, foi nomeado para liderar o desenvolvimento do “Domo de Ouro”. Com vasta experiência em sistemas espaciais e guerra eletrônica, ele se tornou uma peça central na execução dessa estratégia bilionária.

Repercussão internacional

As ambições americanas com o “Domo de Ouro” têm gerado críticas internacionais, especialmente da Rússia e da China, que classificaram o projeto como “profundamente desestabilizador” e potencialmente capaz de intensificar uma corrida armamentista no espaço. A Rússia chegou a sugerir que os EUA deveriam retomar negociações sobre controle de armas, enquanto a China afirmou que a militarização do espaço poderia comprometer a segurança global.

Além disso, autoridades da Groenlândia e da Dinamarca têm rejeitado a ideia de que o território poderia ser negociado ou incorporado aos EUA, destacando a soberania dinamarquesa e a importância dos direitos de autodeterminação dos groenlandeses.

🇨🇦 Parceria canadense em discussão

O governo canadense foi citado por Trump como possível parceiro no sistema de defesa, com o Secretário do Tesouro dos EUA afirmando que o Canadá foi “convidado” para integrar discussões sobre segurança e defesa norte-americana, incluindo o reforço do NORAD — a aliança de defesa aeroespacial entre Canadá e EUA. No entanto, detalhes sobre a participação canadense ainda são amplamente negociados.

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