Trump conduz os EUA a um colapso político, aponta colunista do New York Times
Análise publicada no jornal norte-americano afirma que radicalização, autoritarismo e ataque às instituições empurram os Estados Unidos para uma crise estrutural sem precedentes

Uma análise publicada por colunista do The New York Times aponta que Donald Trump está conduzindo os Estados Unidos a um colapso político profundo, marcado pela erosão institucional, radicalização social e enfraquecimento deliberado das bases democráticas. Segundo o texto, o fenômeno Trump deixou de ser apenas uma disputa eleitoral e passou a representar uma ameaça sistêmica ao regime político norte-americano.
De acordo com o colunista, Trump consolidou uma estratégia de poder baseada na deslegitimação das eleições, no ataque direto ao Judiciário, na hostilidade à imprensa e na mobilização permanente do ressentimento social. Essa combinação teria criado um ambiente de instabilidade crônica, no qual parcelas expressivas da população já não reconhecem regras básicas da democracia liberal.
O artigo destaca que o trumpismo não depende mais de fatos ou programas de governo, mas de uma lógica de confronto permanente. Para o colunista, trata-se de um movimento que opera pela desinformação, pela teoria da conspiração e pelo culto à personalidade, elementos típicos de processos de degradação democrática observados historicamente em outros países.
A análise também chama atenção para o papel das elites econômicas e políticas que, por oportunismo ou cálculo eleitoral, toleraram e até estimularam o avanço desse projeto autoritário. O resultado, segundo o texto, é um sistema político paralisado, incapaz de produzir consensos mínimos, enquanto conflitos institucionais se acumulam e se aprofundam.
Outro ponto central do artigo é a normalização da violência política. O colunista observa que discursos que antes seriam considerados inaceitáveis passaram a circular livremente no debate público, incentivando ameaças, intimidações e até ações diretas contra instituições e agentes do Estado. Esse processo, afirma, fragiliza a confiança social e empurra o país para uma lógica de instabilidade permanente.
Para além do cenário interno, o texto ressalta que o colapso político dos Estados Unidos tem impactos globais. A crise da democracia norte-americana enfraquece a credibilidade do país no cenário internacional e expõe o duplo padrão histórico de Washington, que por décadas se apresentou como guardião da democracia enquanto tolerava — ou promovia — golpes e regimes autoritários no Sul Global.
Do ponto de vista crítico, o artigo sugere que o trumpismo é também resultado de contradições profundas do capitalismo norte-americano: desigualdade extrema, precarização do trabalho e perda de perspectivas sociais. Trump, segundo o colunista, não criou essas fraturas, mas soube explorá-las politicamente, canalizando frustração social em direção ao autoritarismo.
A análise conclui que os Estados Unidos vivem um momento decisivo. Ou enfrentam as causas estruturais da crise — fortalecendo instituições, combatendo a desigualdade e reconstruindo a confiança democrática — ou seguirão aprofundando um processo de colapso político que pode ter consequências duradouras, tanto internas quanto globais.
