Partido planeja estratégia política e jurídica para enfrentar plataformas digitais, denunciar algoritmos e defender soberania digital na campanha eleitoral

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou que está se organizando para o que chama de “guerra” contra as Big Techs no ano eleitoral de 2026, em um movimento que combina estratégias políticas e jurídicas para enfrentar o que considera interferência indevida de grandes empresas de tecnologia no debate público. A informação foi divulgada em reportagem publicada nesta quarta-feira.

Segundo o partido, plataformas digitais com alcance global — como redes sociais e mecanismos de busca — representam um risco à soberania informacional e à lisura do processo eleitoral, pela forma como algoritmos podem manipular a circulação de informações e privilegiar narrativas que influenciam o comportamento dos eleitores.

A estratégia petista, alinhada com resoluções internas adotadas no final de 2025, coloca a disputa digital e a regulação das empresas de tecnologia no centro da agenda para 2026. Essas diretrizes defendem não apenas maior fiscalização e responsabilização das plataformas, mas também a construção de estruturas tecnológicas próprias e um marco regulatório rigoroso para proteger o debate político no ambiente digital.

O PT argumenta que a concentração de poder nas mãos de poucas empresas pode influenciar resultados eleitorais, manipular visibilidade de conteúdos e impactar diretamente a opinião pública por meio de algoritmos opacos. O partido sustenta que isso ameaça a democracia ao favorecer discursos polarizados e a desinformação política.

Além da retórica pública, a sigla tem adotado ações no campo judicial. Parlamentares e dirigentes petistas já moveram representações junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em episódios relacionados ao desaparecimento temporário de perfis políticos nas plataformas, além de petições sobre serviços de inteligência artificial considerados perigosos por produzir conteúdos inapropriados ou enganadores.

A mobilização do PT ocorre em um contexto mais amplo de debates sobre big techs e eleições no Brasil e no mundo. Pesquisadores e especialistas em ciência política destacam que plataformas digitais estão cada vez mais presentes em campanhas eleitorais, com uso intensivo de dados e algoritmos para micro-segmentação de eleitores — algo que pode intensificar a manipulação de informações em períodos de campanha eleitoral.

A proposta petista reforça a necessidade de marcos legais robustos, transparência de algoritmos, auditorias independentes e mecanismos de responsabilização das grandes empresas de tecnologia, com a intenção de garantir um ambiente digital mais democrático e menos suscetível à desinformação em pleno processo eleitoral.

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