Ministro do STF determina prazo para que o líder religioso apresente defesa em ação por calúnia e injúria contra oficiais do Exército, após discurso em ato político em São Paulo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o pastor Silas Malafaia apresente explicações no prazo de 15 dias em face de uma denúncia por calúnia e injúria após chamar membros do Alto Comando do Exército de “frouxos” e “covardes” em um discurso feito em ato político realizado na Avenida Paulista, em São Paulo.

O episódio e a denúncia

A medida ocorreu no contexto de uma representação apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após uma fala de Malafaia em um ato pró-anistia realizado em abril do ano passado. Na ocasião, sem citar nomes específicos, o pastor criticou duramente os generais que compõem o Alto Comando por suposta falta de posicionamento diante de eventos ligados às investigações e prisões de líderes bolsonaristas.

A denúncia afirma que as declarações de Malafaia teriam imputado falsamente aos militares o crime de prevaricação e disseminado afirmações difamatórias ao difundir publicamente o conteúdo nas redes sociais, onde ultrapassou centenas de milhares de visualizações.

Prazo e defesa

Moraes fixou 15 dias para que o pastor apresente sua defesa aos autos, em um processo que tramita no STF, mesmo durante o recesso do Judiciário — período em que apenas questões consideradas urgentes são analisadas pela Corte. O despacho foi assinado em 20 de dezembro e a notificação foi entregue ainda em dezembro, segundo informações oficiais.

Acusações de perseguição

Em resposta ao procedimento, Malafaia tem criticado a decisão judicial, alegando que se trata de perseguição política e que sua manifestação estaria amparada pela liberdade de expressão. Ele também contestou a conexão do caso com inquéritos sobre desinformação, argumentando que sua fala não teria citado diretamente o comandante do Exército, embora tenha sido considerada ofensiva pelas autoridades militares afetadas.

Repercussões e contexto institucional

Especialistas em direito constitucional consultados por veículos de imprensa destacam que o caso evidencia o equilíbrio entre a liberdade de expressão e a proteção à honra de instituições e autoridades constitucionais, especialmente quando pronunciamentos públicos atingem coletivos fundamentais para o funcionamento do Estado, como as Forças Armadas. Observadores também ressaltam que procedimentos dessa natureza, envolvendo figuras públicas polêmicas, têm chamado atenção para os limites legais dos discursos em atos políticos de grande mobilização.

A decisão de Moraes coloca o STF no centro de uma disputa em torno dos limites do discurso político e do respeito institucional às Forças Armadas, e marca mais um episódio de confrontos entre setores do bolsonarismo e o Judiciário. O desenrolar do processo e as manifestações posteriores de Malafaia devem acirrar ainda mais o debate sobre os limites legais da crítica pública no ambiente político brasileiro.

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