Presidente do Republicanos afirma que campo conservador não está fechado com Flávio Bolsonaro e expõe disputa interna por poder e protagonismo

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que Eduardo Bolsonaro tem adotado uma postura “arrogante” nas articulações políticas e declarou que o apoio da direita à candidatura de Flávio Bolsonaro está longe de ser consenso. A declaração escancara o aprofundamento das divisões no campo conservador e enfraquece a narrativa de unidade que a família Bolsonaro tenta impor ao espectro da direita.

Segundo Marcos Pereira, a condução política feita por Eduardo tem dificultado qualquer construção mais ampla de alianças. Para o dirigente partidário, o bolsonarismo insiste em tratar o apoio político como obrigação automática, ignorando que partidos e lideranças têm projetos próprios e disputam espaços de poder.

Arrogância como método político

A crítica à postura de Eduardo Bolsonaro não é isolada. Nos bastidores, líderes partidários relatam incômodo com a forma como o deputado atua, frequentemente adotando tom de imposição e desqualificação de aliados potenciais. Ao tornar pública essa avaliação, Marcos Pereira rompe o silêncio e explicita um conflito que vinha sendo tratado de forma discreta.

Para analistas, o estilo confrontacional de Eduardo reflete a lógica do bolsonarismo: quem não se submete integralmente é tratado como inimigo. Esse método, que funcionou para mobilizar uma base radicalizada, mostra-se ineficaz para construir maiorias políticas em um cenário de fragmentação da direita.

Apoio a Flávio longe do consenso

A fala de Marcos Pereira desmonta a ideia de que Flávio Bolsonaro seria o nome natural da direita para uma disputa majoritária. Ao afirmar que o apoio não está definido, o presidente do Republicanos sinaliza que setores importantes do campo conservador avaliam outras alternativas ou, ao menos, resistem à imposição de um projeto familiar.

O desgaste acumulado pela família Bolsonaro, somado às investigações e controvérsias que cercam seus principais nomes, torna a candidatura de Flávio um ativo político arriscado. Para partidos como o Republicanos, alinhar-se automaticamente ao bolsonarismo pode significar carregar um passivo eleitoral difícil de administrar.

Racha exposto na direita

As declarações revelam um racha que vai além de divergências pessoais. Trata-se de uma disputa sobre quem controla o futuro da direita brasileira. De um lado, a família Bolsonaro tenta manter hegemonia sobre o campo conservador, operando com base em lealdade pessoal e confronto permanente. De outro, partidos e lideranças buscam autonomia para negociar, compor alianças e redefinir estratégias.

A crítica de Marcos Pereira evidencia que o bolsonarismo deixou de ser força agregadora e passou a ser fator de divisão. O campo conservador, longe de se apresentar como bloco coeso, aparece fragmentado e em disputa aberta.

Republicanos e cálculo político

O Republicanos ocupa posição estratégica no tabuleiro político, com forte presença no Congresso e influência em governos estaduais e municipais. Ao se distanciar da imposição bolsonarista, o partido sinaliza que fará um cálculo pragmático, baseado em viabilidade eleitoral e preservação de capital político.

Essa postura reforça a percepção de que o sobrenome Bolsonaro já não garante automaticamente apoio, como ocorria em ciclos anteriores. A direita passa a lidar com o custo de carregar uma marca política desgastada.

Reação bolsonarista previsível

Como tem ocorrido em situações semelhantes, a reação de setores bolsonaristas foi imediata, com ataques a Marcos Pereira e tentativas de desqualificar sua liderança. A estratégia repete um padrão: transformar divergência política em ataque pessoal, aprofundando o isolamento do grupo.

Esse comportamento, segundo analistas, acelera o processo de implosão interna, afastando aliados e consolidando a imagem de um movimento incapaz de conviver com dissenso.

Um campo em crise

As declarações do presidente do Republicanos reforçam que a direita brasileira atravessa uma crise de projeto. Sem consenso, sem liderança unificadora e marcada por disputas internas, o campo conservador enfrenta dificuldades para se reorganizar após o desgaste do bolsonarismo.

Ao chamar Eduardo Bolsonaro de arrogante e colocar em dúvida o apoio a Flávio, Marcos Pereira não apenas faz uma crítica pontual, mas expõe a fragilidade de um projeto político que se sustenta mais na imposição do que na construção coletiva.

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