Ato convocado por deputado da extrema direita teve rota alterada por decisão das forças de segurança, que avaliaram riscos institucionais e tentativas de intimidação aos Poderes

A marcha bolsonarista convocada e impulsionada pelo deputado Nikolas Ferreira tinha como destino final a Esplanada dos Ministérios, coração do poder político nacional. No entanto, o percurso foi desviado pelas autoridades de segurança, que impediram a aproximação do grupo das sedes dos Três Poderes diante da avaliação de riscos à ordem pública e à segurança institucional.

Segundo informações divulgadas, a mudança de trajeto ocorreu após análises técnicas que levaram em conta o histórico recente de atos antidemocráticos em Brasília e o potencial de radicalização do protesto. A avaliação das forças de segurança foi a de que permitir a chegada da marcha à Esplanada poderia representar tentativa de pressão política direta sobre instituições como o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto.

O desvio do ato foi executado com a instalação de bloqueios, grades e cordões policiais, além do monitoramento permanente dos participantes. A orientação oficial foi garantir o direito de manifestação, mas sem permitir ocupações, acampamentos ou deslocamentos que configurassem ameaça ou intimidação institucional.

Nos bastidores, autoridades apontaram preocupação com o discurso adotado por lideranças bolsonaristas, marcado por ataques ao Judiciário e pela retórica de confronto com o Estado Democrático de Direito. Para integrantes do governo e especialistas em segurança, a experiência dos atos golpistas de janeiro de 2023 impôs um novo padrão de prevenção, no qual a antecipação é vista como medida essencial.

Aliados de Nikolas criticaram o desvio do trajeto e tentaram caracterizar a decisão como cerceamento do direito de manifestação. Já setores progressistas e entidades democráticas destacaram que direito de reunião não é absoluto e deve respeitar limites quando há risco concreto às instituições e à segurança coletiva.

O episódio evidencia a mudança de postura do Estado brasileiro diante de mobilizações da extrema direita. Diferentemente do que ocorreu em momentos anteriores, as autoridades optaram por não permitir a ocupação simbólica da Esplanada, espaço frequentemente utilizado como palco de atos de intimidação política e ensaios golpistas.

Para analistas, o desvio da marcha representa um sinal claro de que o poder público não aceitará novas tentativas de transformar manifestações em instrumentos de chantagem institucional. A prioridade, avaliam, é preservar a normalidade democrática e impedir que atos políticos descambem para confrontos ou violência.

A mobilização acabou ocorrendo de forma limitada, sem acesso à Esplanada, sob forte vigilância das forças de segurança. O caso reforça o entendimento de que, após os ataques às instituições, Brasília passou a operar sob um novo protocolo de defesa democrática, no qual a prevenção se tornou regra.

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1 comentário em “Marcha bolsonarista de Nikolas seria encerrada na Esplanada, mas trajeto foi desviado pelas autoridades

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