Lula e Trump acertam visita a Washington após telefonema, reafirmam diálogo sobre Venezuela e Conselho da Paz
Presidentes do Brasil e dos EUA conversam por telefone e definem que Lula visitará Washington em breve; pauta incluiu paz regional, carta-convite para Conselho da Paz e estabilidade na Venezuela

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acordaram que Lula fará uma visita oficial a Washington assim que retornar de compromissos internacionais na Índia e na Coreia do Sul, em fevereiro, informou a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom). A data exata ainda está sendo negociada entre os dois governos.
O acordo foi anunciado após uma ligação telefônica realizada nesta segunda-feira (26) entre os chefes de Estado, marcada por conversas de cerca de 50 minutos sobre temas de segurança internacional, estabilidade regional e iniciativas bilaterais. Esta foi a terceira vez que Lula e Trump se comunicaram por telefone desde que restauraram o diálogo político iniciado em setembro do ano passado, após um período de tensões diplomáticas entre os dois países.
Pauta da conversa
Durante a chamada, Lula reiterou a importância de preservar a paz e a estabilidade na região, especialmente no contexto da Venezuela. A conversa ocorre em um momento de apreensão após ações recentes envolvendo a liderança venezuelana, o que motivou o governo brasileiro a ressaltar a importância de soluções pacíficas e multilaterais para conflitos na América Latina.
O presidente brasileiro também sugeriu que o chamado “Conselho da Paz”, uma iniciativa proposta pelos Estados Unidos para atuar em âmbito global, **se restrinja à reconstrução e pacificação da Faixa de Gaza, como estabelecido em uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de novembro último. Lula defendeu ainda que a Palestina tenha representação no conselho e defendeu uma reforma ampla da ONU, incluindo a expansão dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
O Conselho da Paz, cuja carta de fundação tem gerado debate internacional, foi apresentado por Trump como um organismo paralelo para resolução de conflitos, mas analistas e diplomatas observaram que a iniciativa poderia rivalizar com a ONU se não tiver um escopo claramente definido.
Relações bilaterais e visita agendada
Se confirmada, a viagem de Lula a Washington será a segunda durante seu atual mandato. Em fevereiro de 2023, o presidente brasileiro foi recebido na Casa Branca pelo então presidente Joe Biden em uma visita que abordou temas como democracia, clima, comércio e segurança entre os dois países.
Fontes governamentais ouvidas reservadamente pela BBC News Brasil afirmaram que a visita ainda não tem data definida, mas que os dois líderes pretendem consolidar a agenda bilateral envolvendo comércio, segurança regional e cooperação internacional antes do encontro presencial.
No ano passado, a relação entre Brasil e Estados Unidos passou por momentos de tensão depois que tarifas elevadas foram impostas pelo governo americano a produtos brasileiros, um conflito que, desde então, tem sido tratado por canais diplomáticos e negociadores de ambos os lados.
Contexto internacional
Além dos temas bilaterais, a conversa entre Lula e Trump reflete a tentativa de redefinir a cooperação entre Brasil e Estados Unidos em um cenário global marcado por conflitos regionais, transição energética e disputas comerciais. A discussão sobre a Venezuela e a proposta do Conselho da Paz ilustram o esforço dos dois governos em equilibrar interesses estratégicos enquanto lidam com críticas internacionais sobre a função de organismos multilaterais tradicionais e emergentes.
