Senadora responde com força a críticas de Silas Malafaia sobre investigação na CPMI do INSS e aprofunda embate dentro da direita evangélica

A senadora Damares Alves rebateu com palavras duras as críticas feitas pelo pastor Silas Malafaia à sua afirmação de que grandes igrejas evangélicas estariam implicadas em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em declaração à imprensa, Damares afirmou que Malafaia “está endemoniado” e que não pode ser usado como forma de intimidação contra uma parlamentar em exercício, elevando o tom do embate dentro da própria direita.

O conflito público teve início durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga irregularidades no Instituto, incluindo descontos indevidos aplicados a benefícios previdenciários e prejuízos a milhões de aposentados e pensionistas — parte do que ficou conhecido como o esquema de fraudes no INSS, um complexo escândalo que envolve prejuízos bilionários e está sob investigação por órgãos federais e parlamentares.

Divergências na interpretação das investigações

Damares havia declarado que existiam indícios de que grandes denominações evangélicas estariam envolvidas ou de alguma forma associadas a práticas irregulares relacionadas ao esquema. Malafaia respondeu com veemência, negando que igrejas consolidadas estejam na mira da investigação e acusando a senadora de divulgar informações falsas. Segundo ele, as investigações atingiriam apenas instituições menores ou recentes, e não grandes igrejas tradicionais.

Em tom inflamado, o pastor chegou a desafiar Damares publicamente, pedindo que ela apresentasse nomes específicos de líderes ou instituições religiosas supostamente envolvidos. Ele afirmou que não há, até o momento, grandes denominações alvo formal das apurações e questionou a própria base factual das declarações da senadora.

“Endemoniado” e a resposta de Damares

A resposta de Damares foi tensa e reveladora de um racha evidente nas bases conservadoras que tradicionalmente se apoiam no eleitorado evangélico. Ao chamar Malafaia de “endemoniado”, ela não apenas desacreditou a crítica, mas a caracterizou como uma forma de intimidação e tentativa de silenciamento. A senadora afirmou que suas declarações são baseadas em apurações parlamentares e que não aceitará que questionamentos se convertam em ataques pessoais ou tentativas de desqualificação do trabalho legislativo.

A expressão utilizada por Damares, apesar de forte, reflete uma tensão crescente entre setores da direita que historicamente estiveram alinhados: por um lado, figuras como Malafaia, que tentam defender interesses institucionais das lideranças evangélicas; por outro, políticos como Damares, que buscam afirmar independência parlamentar e ampliar o alcance das investigações, mesmo dentro de fragilidades religiosas.

Impactos políticos internos

O embate tem repercussão interna imediata. A CPMI do INSS avalia requerimentos para convocar Malafaia a prestar depoimento sobre suas declarações e sua posição em relação às supostas irregularidades na atuação de entidades religiosas no esquema. O objetivo é confrontar versões e aprofundar a investigação, que já está sendo considerada uma das mais amplas apurações de irregularidades contra o sistema previdenciário brasileiro.

Para aliados de Damares, o embate demonstra que a parlamentar não teme enfrentar setores poderosos nem as pressões de líderes religiosos quando o interesse público está em jogo. Para críticos de Malafaia, a tentativa de negar qualquer envolvimento de grandes instituições reflete uma tendência de proteger figuras influentes em vez de colaborar com as investigações.

Repercussões na bancada evangélica

O confronto também lança luz sobre uma divisão delicada na bancada evangélica e entre eleitores conservadores. Enquanto líderes como Malafaia tentam preservar a imagem das instituições religiosas, parlamentares como Damares defendem que nenhum setor da sociedade — religioso, político ou econômico — esteja acima de apurações transparentes. Esse debate pode reconfigurar alianças e afetar a narrativa política que a direita tem construído nos últimos anos.

O que vem pela frente

Com o retorno dos trabalhos parlamentares, a CPMI do INSS deve aprofundar suas investigações e poderá convocar Malafaia oficialmente, em meio à intensa repercussão gerada pelo confronto com Damares. A disputa promete se estender no legislativo, colocando em xeque a unidade da direita evangélica e pressionando lideranças religiosas a posicionarem-se de forma mais clara sobre as apurações de irregularidades previdenciárias.

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