Entenda o processo de nomeação dos ministros do Supremo Tribunal Federal, quem os indicou e por que críticas e ataques à Corte têm repercussão política e eleitoral no Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF), principal guardião da Constituição brasileira, é formado por 11 ministros nomeados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado Federal, com nomes escolhidos com base em critérios como “notável saber jurídico e reputação ilibada”.

Processo de escolha e indicação

O processo começa com o presidente da República selecionando um jurista que preencha os requisitos constitucionais para a vaga aberta no STF. Após a indicação, o nome precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aprovado pela maioria absoluta do Senado.

Isso faz com que a composição da Corte reflita, em parte, a visão política e institucional do presidente que nomeou cada ministro — uma vez que, além dos critérios técnicos, aspectos políticos e de confiança são considerados na escolha dos nomes.

Quem indicou os atuais ministros e por quê

Atualmente, a composição do STF traz ministros indicados por diferentes presidentes da República, cada um com motivações próprias:

  • Gilmar Mendes – indicado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2002, quando era Advogado-Geral da União. Sua indicação buscava trazer à Corte alguém com experiência em gestão pública e alinhado com propostas de estabilidade jurídica.
  • Cármen Lúcia – indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006, era procuradora do Estado de Minas Gerais e sua nomeação foi entendida como uma escolha técnica e de equilíbrio institucional.
  • Dias Toffoli – também indicado por Lula em 2009, então chefe da Advocacia-Geral da União, representa um vínculo mais direto entre o Executivo e o Judiciário.
  • Luiz Fux – indicado por Dilma Rousseff (PT) em 2011, seu histórico no STJ e no judiciário brasileiro justificou a escolha focada em experiência jurídica consolidada.
  • Rosa Weber e Luís Roberto Barroso – também escolhidos por Dilma (em vagas de 2011 e 2013, respectivamente), entraram na Corte por reputação jurídica e histórico de atuação em temas constitucionais.
  • Edson Fachin – indicado por Dilma em 2015, chegou à Corte após carreira acadêmica e advocacia de destaque.
  • Alexandre de Moraes – nomeado por Michel Temer (MDB) em 2017, era então ministro da Justiça e sua indicação trouxe para o STF alguém com experiência no Executivo e forte atuação em segurança pública.
  • Nunes Marques e André Mendonça – escolhidos por Jair Bolsonaro (PL), respectivamente em 2020 e 2021, com trajetórias ligadas a posições conservadoras e alinhadas à visão de Estado de Direito e segurança jurídica.
  • Cristiano Zanin – indicado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, seu perfil ganhou notoriedade por ter sido advogado pessoal do presidente, gerando debates sobre a relação entre sua escolha e confiança institucional.

Essas escolhas refletem, além de formação jurídica, também aspectos de articulação política, confiança pessoal e visão de papel institucional de cada membro.

Por que os ataques ao STF repercutem nas eleições de 2026

Os episódios recentes em que o STF tornou-se alvo de críticas intensas — especialmente de setores políticos e de apoiadores de figuras públicas — têm mostrado que o Supremo deixou de ser visto apenas como um órgão técnico para ser elemento de disputa política ativa.

Críticas direcionadas à Corte, seus ministros ou decisões específicas — por exemplo, em temas como investigação de crimes, limitações de discurso político ou decisões em ações que envolvem figuras públicas — acabam sendo incorporadas em narrativas eleitorais.

Além disso, pesquisas e monitoramentos recentes mostram que ataques e desinformação institucional, quando amplificados em redes sociais e canais de comunicação digital, podem influenciar a percepção dos eleitores quanto à confiabilidade das instituições democráticas, criando um ambiente de desconfiança que se reflete nas campanhas eleitorais.

Essa dinâmica — com ataques que questionam a legitimidade do STF e tentativas de colocá-lo como “adversário político” — tem sido usada por campanhas para mobilizar setores eleitorais polarizados e pode influenciar a forma como candidatos abordam temas como soberania institucional, eleições limpas e equilíbrio entre poderes no debate público de 2026.

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