Cofres públicos bancam viagem de campanha de Flávio Bolsonaro a Israel
Senador pré-candidato terá despesas pagas pelo Senado para participar de conferência em Israel em meio ao ano eleitoral, gerando debates sobre uso de recursos públicos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcará em uma viagem internacional que está sendo oficialmente apresentada como missão parlamentar, mas que ocorre em um momento crítico de articulação de sua pré-candidatura à Presidência da República. A viagem inclui paradas em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, com todas as despesas custeadas pelos cofres públicos do Senado Federal.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), autorizou a missão, que cobrirá desde passagens aéreas até diárias, hospedagem, alimentação, deslocamentos e seguro-viagem para o parlamentar. Estima-se que Flávio Bolsonaro terá direito a mais de R$ 42 mil em diárias internacionais, segundo regras atualizadas da Casa.
Em Israel, o senador participará como orador da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, marcada para os dias 26 e 27 de janeiro em Jerusalém, um evento que traz apoiadores do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e que promete tratar de temas ligados ao aumento de ataques a comunidades judaicas no mundo.
Embora a missão seja formalmente de caráter institucional, a assessoria de Flávio Bolsonaro confirmou que sua agenda terá conteúdo político e eleitoral, com o parlamentar apresentando propostas e “diretrizes que pretende adotar em um eventual futuro governo”. A participação em eventos internacionais com líderes políticos da direita também reforça o projeto de projeção internacional de sua pré-candidatura.
A organização da viagem está sob responsabilidade do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, considerado um dos articuladores do bolsonarismo no cenário global. Isso incluiu a coordenação com nomes da direita internacional para o evento em Israel, bem como compromissos com autoridades políticas e diplomáticas em outras paradas da agenda.
A decisão de financiar a ida do senador com recursos públicos em plena campanha tem suscitado debate político e questionamentos sobre o uso de dinheiro do contribuinte para fins que, na prática, podem favorecer a exposição eleitoral de um pré-candidato enquanto outras demandas sociais aguardam atenção legislativa.
O retorno de Flávio Bolsonaro ao Brasil está previsto para o início de fevereiro, data em que se espera que a articulação política no país avance com o início efetivo das campanhas internas, enquanto o senador intensifica sua presença no cenário internacional e doméstico.
