Ciro Gomes descarta apoio a Flávio Bolsonaro: ‘Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido?’
Líder do PSDB no Ceará evita alinhamento com senador do PL e sinaliza que partidos ainda definirão posicionamentos para 2026, em meio a tensões entre direita e centro.

O ex-ministro e presidente do PSDB Ceará, Ciro Gomes, declarou nesta sexta-feira (23) que **não apoiaria o senador da República Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma eventual disputa eleitoral. Questionado sobre a possibilidade de aliança com o parlamentar do PL em 2026, Ciro questionou: “Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido?” e destacou que as decisões sobre apoios ainda serão tomadas pelas direções nacionais das siglas envolvidas.
A declaração foi dada após uma entrevista coletiva em Fortaleza, onde Ciro abordou tanto o cenário político estadual quanto as negociações em curso para formar alianças amplas de oposição no Ceará. O líder tucano sublinhou que, apesar de conversas pontuais entre setores do PSDB, do União Brasil e de integrantes do PL terem ocorrido, as decisões estratégicas para 2026 ainda dependem de deliberações nacionais das direções partidárias.
Choque entre direita e centro
O posicionamento de Ciro sinaliza uma distância entre setores do chamado “centro” ou centro-direita e a candidatura de Flávio Bolsonaro, já que o PSDB e o União Brasil ainda avaliam seus caminhos eleitorais. A fala também ocorre em um momento em que lideranças do PL enfrentam resistência interna e externa em torno da pré-candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.
A negociação de alianças no Ceará — incluindo tentativas anteriores de acordo entre o PSDB, União Brasil e setores do PL liderados por André Fernandes — foi interrompida no fim de 2025, após críticas públicas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a esse tipo de aproximação. Essa crise interna no PL refletiu na suspensão das conversas entre os partidos, mostrando como dissensões pessoais e familiares influenciam decisões estratégicas maiores.
Partidos e definições eleitorais
Ciro Gomes ressaltou que tanto o PSDB quanto o União Brasil irão deliberar nacionalmente suas posições antes de qualquer anúncio formal de apoio a candidatos ao governo estadual, ao Palácio do Planalto ou a outras disputas em 2026. Sua resposta indica que qualquer decisão sobre alianças — inclusive com nomes ligados ao bolsonarismo — ainda está em aberto e depende de consenso interno.
O ex-ministro também mencionou que ainda não decidiu se será candidato ao governo do Ceará, observando que seu “juízo” e seu “coração” estão em tensão ao ponderar os impactos de sua eventual candidatura local.
Contexto político mais amplo
A declaração de Ciro reflete um quadro mais amplo de fragmentação política no país, no qual partidos tradicionais e novos agrupamentos enfrentam dificuldades em consolidar blocos coesos diante da polarização entre bolsonarismo e forças progressistas. Políticos de centro, como Ciro — alinhado ao PSDB regional — buscam equilibrar posicionamentos sem se comprometer automaticamente com nomes que carregam forte carga ideológica ou familiar.
Especialistas em ciência política observam que a insistência de Ciro em enfatizar que apoios específicos serão definidos apenas após deliberações partidárias maiores indica uma tentativa de manter autonomia estratégica diante de uma direita fragmentada, na qual a figura de Flávio Bolsonaro ainda não agrega consenso nem dentro de partidos aliados potenciais.
O horizonte eleitoral
Com a aproximação das eleições de 2026, a definição de apoios e alianças tende a ganhar intensidade. A postura de Ciro Gomes — de cuidado ao responder sobre Flávio Bolsonaro — demonstra que setores do centro e centro-direita ainda buscam clareza sobre o papel que querem desempenhar no futuro político do país, diferenciando-se de alinhamentos que pareçam automáticos ou exclusivamente pessoais.
Em um cenário político marcado por indefinições tanto no campo progressista quanto no conservador, a atitude de Ciro pode sinalizar um esforço para colocar critérios partidários e estratégicos à frente de decisões tomadas por afinidade pessoal ou histórica.
