Carlos Bolsonaro critica prisão na Papudinha após visitar Jair Bolsonaro
Após visitar o ex-presidente na Papudinha, Carlos Bolsonaro lamenta condições da detenção, em discurso que contrasta com seu histórico de defesa de penas duras no sistema penal

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (21) que as condições da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro no batalhão da Polícia Militar conhecido como Papudinha são “inacreditáveis” e inadequadas. A declaração foi postada em suas redes sociais após a visita ao pai, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por decisão da primeira instância criminal e confirmada pelo STF.
Carlos descreveu o ambiente da detenção como um local que abriga “estupradores, sequestradores e criminosos de alta periculosidade” ao lado de Bolsonaro, classificando a situação como negativa e criticando o episódio nas plataformas digitais.
A visita, a primeira após a transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), durou algumas horas e foi seguida de manifestações públicas de Carlos Bolsonaro.
Contraste com defesa de penas rígidas
Nos discursos que se seguiram à visita, Carlos Bolsonaro associou a situação do pai a uma “inversão de valores” no Brasil e afirmou que continuará engajado em iniciativas que considera em defesa de “presos políticos” relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo sua participação em uma caminhada organizada por apoiadores do grupo.
Entretanto, analistas e comentaristas destacam que a postura de Carlos se diferencia de suas posições públicas anteriores, nas quais ele e seu grupo político faziam ampla defesa de medidas de tolerância zero contra o crime e apoio a penas duras no sistema penal — inclusive sem distinções entre tipos de condenados ou circunstâncias. Essa mudança de tom, observam críticos, aparece de modo mais evidente quando a detenção atinge aliados ou membros da própria família.
Carlos Bolsonaro também reafirmou que pretende retomar a chamada “caminhada pela liberdade dos presos políticos do 8 de janeiro” logo após a visita — um movimento apoiado por aliados que veem a detenção de integrantes do grupo como perseguição.
O debate sobre as condições prisionais e o tratamento de figuras públicas condenadas no Brasil segue em pauta, com repercussões políticas e jurídicas em meio à corrida eleitoral de 2026 e às tensões entre diferentes segmentos da sociedade sobre a aplicação das leis penais e o respeito às decisões judiciais.
