Autarquia abriu procedimento sigiloso conduzido pela Corregedoria para analisar ações que envolveram o crescimento acelerado e a posterior liquidação da instituição, com afastamento de chefes da fiscalização

O Banco Central do Brasil (BC) instaurou uma investigação interna para apurar o processo de crescimento acelerado e a posterior liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição que enfrentou grave crise de liquidez e foi encerrada pelo órgão regulador em novembro de 2025. A medida foi anunciada em uma decisão assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e está sendo conduzida pela Corregedoria da autarquia, em um procedimento que tramita sob sigilo.

O foco da investigação é compreender como e por que o banco, que vinha apresentando expansão rápida nos anos anteriores, acabou sendo liquidado extrajudicialmente, além de avaliar eventuais falhas no processo de supervisão e fiscalização das decisões que envolveram a instituição. A apuração também busca reforçar os mecanismos internos de governança e controle do próprio Banco Central no trato de casos semelhantes no futuro.

Afastamentos e objetivo da sindicância

Entre as medidas já adotadas pela direção do BC está o afastamento do ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandou a área entre 2019 e 2023. Ele deixou o cargo uma semana após a liquidação do Master e posteriormente pediu exoneração. Outro servidor ligado à área de supervisão bancária, o chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana, também foi afastado de suas funções temporariamente. Não há, no momento, acusações formais contra esses servidores, mas os afastamentos foram definidos para permitir que a investigação siga de forma independente e íntegra.

A Corregedoria do Banco Central — responsável pela condução da sindicância — não divulgou prazo para concluir os trabalhos, que envolverão análise de documentos, decisões e práticas adotadas pela autarquia ao longo do período em que a instituição apresentou sinais de risco e até a decretação de sua liquidação. O objetivo anunciado é compreender com precisão as circunstâncias que envolveram o caso Master e, assim, orientar possíveis aperfeiçoamentos na atuação regulatória.

Contexto e repercussões

A investigação interna ocorre em meio a um ambiente de intensas apurações no âmbito do escândalo do Banco Master, que já inclui inquéritos policiais, ações administrativas e debates políticos e regulatórios sobre a atuação de autoridades e instituições públicas. O caso ganhou ampla repercussão após a prisão de dirigentes e proprietários do banco no fim de 2025, além de ter provocado grandes desembolsos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcir credores dentro dos limites legais.

Analistas de regulação financeira avaliam que a sindicância interna pode revelar pontos de melhoria importantes nas práticas de fiscalização do sistema bancário brasileiro, além de oferecer subsídios para eventuais ajustes normativos ou mudanças em políticas internas do Banco Central que evitem ocorrências similares no futuro. A investigação faz parte de uma série de desdobramentos mais amplos em torno da crise do Master, que continua a impactar debates sobre confiança no sistema financeiro e eficiência regulatória.

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