Autarquia determina sindicância sigilosa para avaliar aceleração no crescimento e na liquidação do Banco Master e ajustar procedimentos de supervisão após escândalo financeiro.

O Banco Central do Brasil (BC) determinou a abertura de uma investigação interna sigilosa para apurar os eventos que cercaram o crescimento acelerado e a posterior liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição que se tornou um dos casos mais complexos no sistema financeiro brasileiro nos últimos meses. A medida foi autorizada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e está sendo conduzida pela Corregedoria do Banco Central sob sigilo profissional.

A investigação interna tem como objetivo examinar a atuação da própria autarquia no processo de supervisão e regulação que envolveu o Banco Master desde seu auge de expansão até o colapso ocorrido em novembro de 2025, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial da instituição diante de riscos à estabilidade do sistema financeiro.

Afasteamento de diretores e ações internas

Com a instauração do procedimento, ex-diretores do BC que estiveram à frente de áreas relacionadas à supervisão bancária foram afastados de suas funções. Entre eles estão o ex-diretor de Fiscalização e o chefe do Departamento de Supervisão Bancária, embora não haja acusações formais contra esses servidores. A decisão de afastamento seguiu recomendação da presidência da autarquia para garantir independência e imparcialidade às apurações.

A corregedoria do BC — responsável pelo processo disciplinar — não divulgou prazo para conclusão dos trabalhos, mas a investigação deve examinar detalhes sobre autorizações, análises de riscos, acompanhamento de operações e eventuais lacunas nas práticas de supervisão adotadas nos anos que precederam o colapso do Master.

Contexto da crise no Banco Master

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, enfrentou um colapso de liquidez que levou à sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central em janeiro de 2026, após a instituição ter sido alvo de diversas investigações sobre supostas irregularidades em operações financeiras, emissão de títulos sem lastro e outras práticas que colocaram em risco depositantes e investidores.

A crise desencadeou uma série de desdobramentos, incluindo investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, apurações no Supremo Tribunal Federal e debates sobre a atuação de autoridades públicas e do próprio Banco Central na detecção e contenção de riscos sistêmicos.

Especialistas em regulação financeira afirmam que a investigação interna pode ser um passo importante para entender possíveis falhas ou fragilidades nos processos de fiscalização e prevenir que episódios similares voltem a ocorrer, além de contribuir para aperfeiçoar a governança e controles do BC. A expectativa nos meios econômicos e jurídicos é que o relatório final da corregedoria apresente orientações para fortalecer a atuação da autarquia diante de crises bancárias.

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