Auditoria interna aberta no Banco Central revisita decisões e medidas tomadas durante a crise do Banco Master sob comando de Roberto Campos Neto, e indica que intervenções poderiam ter sido antecipadas.

Uma investigação interna iniciada no Banco Central (BC) está revisitando as ações e decisões tomadas durante a gestão do então presidente Roberto Campos Neto no caso que envolveu o Banco Master, instituição financeira que entrou em crise e foi liquidada extrajudicialmente no fim de 2025. A apuração foi mostrada em reportagem publicada nesta sexta-feira.

Segundo apurações em andamento, a auditoria interna analisa se havia elementos sólidos já em 2024 e até antes para que medidas mais rígidas — como intervenção ou liquidação — pudessem ter sido tomadas antes da crise se aprofundar, o que poderia ter mitigado o impacto financeiro que recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e outros investidores.

O foco da investigação no BC

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o trabalho da auditoria abrange os passos do Banco Central desde a autorização da transferência de controle do Banco Máxima para o Master, passando pelo acompanhamento da liquidez da instituição em 2023 e 2024, até a decisão de liquidar o banco em novembro de 2025 — uma medida considerada drástica, mas vista como necessária diante da deterioração das finanças da instituição.

O relatório interno destaca que, enquanto havia indícios de problemas de liquidez e ativos de risco, havia espaço para que o BC adotasse medidas mais cedo, o que, na avaliação preliminar de parte da auditoria, poderia ter reduzido perdas e riscos sistêmicos. A mudança de abordagem regulatória e a forma como o cenário evoluiu se tornaram pontos centrais de análise.

Controvérsias e críticas

A gestão de Roberto Campos Neto, que comandou o Banco Central antes de deixar o cargo no final de 2024, já vinha sendo criticada por setores do mercado financeiro, sindicatos e especialistas que consideram que a instituição foi demasiadamente permissiva em momentos críticos, mesmo quando surgiam alertas de problemas no banco.

Uma reportagem publicada em outros veículos também sugeriu que, sob sua gestão, o BC teria optado por não intervir ou acionar mecanismos mais rígidos em pelo menos duas ocasiões em 2024, mesmo diante de sinais de fragilidade financeira no Master, o que gerou questionamentos sobre a atuação da autoridade monetária na época.

Repercussão no cenário financeiro

O caso Banco Master já vinha sendo acompanhado por autoridades como a Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, pelo Ministério Público Federal e por comissões parlamentares que investigam supostas fraudes financeiras e irregularidades. A investigação interna no BC — conduzida sob sigilo — pode trazer novos elementos sobre como a autoridade reguladora lidou com a crise e se suas ações foram compatíveis com as ferramentas disponíveis à época.

Especialistas em regulação financeira ouvidos por jornalistas avaliam que o relatório preliminar da auditoria pode incentivar ajustes em normas e mecanismos de supervisão bancária, bem como gerar debates sobre a autonomia e as responsabilidades do Banco Central em contextos de risco sistêmico.

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