Em discurso no Panamá, presidente brasileiro ressaltou enfraquecimento da cooperação regional, citou paralisia de organismos como a Celac e chamou governantes a protagonizar respostas estratégicas aos desafios comuns

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira que a América Latina enfrenta um de seus maiores retrocessos em integração e criticou a incapacidade dos países da região de formular respostas conjuntas diante de desafios internacionais, incluindo “intervenções ilegais que abalam nossa região”, durante sua participação no Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá.

No discurso, Lula evocou o simbolismo histórico do Congresso do Panamá, há 200 anos, como marco da cooperação entre as novas nações latino-americanas e apontou que, apesar das bases conceituais consagradas na época — como a busca pela paz, a solução pacífica de controvérsias e a igualdade jurídica entre Estados —, esses princípios ainda não foram plenamente traduzidos em instituições regionais duradouras.

Segundo o presidente, a região voltou a se apresentar “fragmentada, mais voltada para fora do que para si própria”, com mecanismos de cooperação enfraquecidos e organismos multilaterais muitas vezes transformados em “rituais vazios”, sem participação efetiva de líderes políticos em discussões estratégicas. Ele citou como exemplo a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que, na visão do chefe do Executivo brasileiro, não tem conseguido sequer aprovar uma declaração conjunta contra intervenções externas que, segundo ele, abalam a região e prejudicam a soberania dos povos latino-americanos.

Retrocesso e desafios para integração

Lula também criticou o enfraquecimento de iniciativas de integração política e institucional no continente, como a dissolução da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que se viu interrompida em grande parte pelo que ele descreveu como intolerância política entre governos com diferentes visões. Para o presidente, essa divisão tem deixado os países da América Latina vulneráveis a pressões externas e a disputas ideológicas, ao mesmo tempo em que impede a construção de respostas eficazes a problemas comuns como extremismo político, manipulação de informação e fragilidades institucionais.

A declaração de Lula acontece em um contexto em que o Brasil e outros países da região têm debatido a necessidade de reforçar laços de cooperação e integração para enfrentar desafios como segurança, mudança climática, desigualdade e desenvolvimento econômico sustentável. Em discursos anteriores, o presidente já havia defendido a América Latina como uma “zona de paz” e criticado o uso de força ou intervenções contrárias ao direito internacional como fatores de instabilidade regional.

Ao encerrar sua fala, Lula conclamou governantes latino-americanos a retomar o protagonismo sobre suas agendas estratégicas e a trabalhar de forma coordenada para superar os desafios que, segundo ele, só podem ser enfrentados com coesão regional e respeito mútuo entre as nações latino-americanas.

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