Representações protocoladas no Superior Tribunal de Justiça apontam omissão e responsabilidade política do governador do DF no escândalo financeiro que envolve o Banco Master e o BRB

Partidos políticos ingressaram no Superior Tribunal de Justiça com pedidos formais de afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em razão de sua suposta responsabilidade política no caso Banco Master, escândalo que revelou um rombo bilionário e colocou sob suspeita a governança do sistema financeiro ligado ao governo do DF.

As representações sustentam que Ibaneis teria falhado no dever de fiscalização e controle sobre operações que envolveram o Banco Master e o BRB, banco público do Distrito Federal. Segundo os partidos, há indícios de omissão grave e de conivência administrativa que justificariam o afastamento cautelar do governador enquanto as investigações avançam.

O pedido ao STJ ocorre após o agravamento da crise política no DF, marcada por sucessivas denúncias, pedidos de impeachment na Câmara Legislativa e crescente pressão da oposição. Para os autores da ação, o afastamento é necessário para evitar interferência nas apurações e para preservar a credibilidade das instituições públicas diante da gravidade do caso.

O escândalo do Banco Master expôs operações de alto risco, falta de transparência e um prejuízo de grandes proporções, levantando questionamentos sobre a atuação de autoridades responsáveis pela supervisão indireta do sistema financeiro local. A proximidade institucional entre o governo do DF, o BRB e estruturas envolvidas no caso ampliou o desgaste político do Palácio do Buriti.

No pedido encaminhado ao STJ, os partidos argumentam que a permanência de Ibaneis no cargo compromete a apuração dos fatos e aprofunda a crise de confiança na administração pública distrital. A medida cautelar de afastamento, segundo eles, não configura antecipação de julgamento, mas sim um instrumento para garantir a lisura do processo investigativo.

Aliados do governador classificam a iniciativa como tentativa de judicialização da política e negam qualquer irregularidade. A defesa de Ibaneis sustenta que não há provas de envolvimento direto do chefe do Executivo e que o caso estaria sendo explorado politicamente por adversários.

Ainda assim, o movimento no STJ reforça o isolamento político do governador e amplia o impacto nacional do caso Banco Master. O episódio ultrapassou os limites do DF e passou a simbolizar, para setores progressistas, a fragilidade dos mecanismos de controle sobre bancos públicos e a recorrente transferência de prejuízos privados para o setor público.

A expectativa é que o STJ analise inicialmente os requisitos formais do pedido antes de decidir sobre eventuais medidas cautelares. Enquanto isso, o caso segue alimentando a crise política no Distrito Federal e intensificando o debate sobre responsabilidade política, governança financeira e controle democrático das instituições.

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