Aprovação de Trump cai para menos de 40% nos EUA e expõe desgaste político profundo
Pesquisas revelam rejeição crescente ao ex-presidente, marcada por autoritarismo, instabilidade econômica e retórica belicista no cenário internacional.

A aprovação do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump caiu para patamares inferiores a 40%, segundo pesquisas recentes divulgadas no país. Os números evidenciam um cenário de desgaste político profundo e consolidam a percepção de que o trumpismo enfrenta limites claros junto à opinião pública norte-americana, mesmo mantendo uma base radicalizada e ruidosa.
Os levantamentos indicam que a rejeição ao ex-presidente supera com folga os índices de aprovação, refletindo o acúmulo de crises políticas, institucionais e sociais associadas à sua trajetória. A queda ocorre em meio a uma série de controvérsias que vão desde ataques às instituições democráticas até o uso recorrente de retórica belicista e autoritária no debate público.
Rejeição além da polarização
Embora os Estados Unidos vivam um ambiente político fortemente polarizado, os dados mostram que a desaprovação a Trump extrapola o campo progressista. Parte significativa de eleitores independentes e moderados também manifesta cansaço com o estilo confrontacional e imprevisível do ex-presidente, que transformou o conflito permanente em método de ação política.
A insistência em questionar processos eleitorais, desacreditar a imprensa e atacar o Judiciário contribuiu para corroer a confiança de parcelas do eleitorado que, no passado, viam em Trump uma alternativa “antissistema”. Hoje, essa narrativa perde força diante do impacto concreto de suas ações sobre a estabilidade institucional do país.
Economia e insegurança social
Outro fator central para a queda de aprovação é o desempenho econômico associado ao trumpismo. Embora aliados tentem vender a imagem de prosperidade, pesquisas mostram que muitos norte-americanos associam o período à ampliação das desigualdades, à precarização do trabalho e ao aumento do custo de vida.
A política econômica baseada em cortes de impostos para grandes corporações e desregulação beneficiou setores específicos, mas não se traduziu em melhora estrutural para a maioria da população. O resultado é uma sensação difusa de insegurança econômica que pesa diretamente na avaliação do ex-presidente.
Política externa como problema
No campo internacional, a postura agressiva e unilateral de Trump também contribui para o desgaste. Ameaças militares, desprezo por organismos multilaterais e o incentivo a conflitos geopolíticos reforçam a imagem de um líder que privilegia a força sobre a diplomacia.
Para muitos eleitores, essa abordagem não fortaleceu os Estados Unidos, mas aumentou o isolamento do país e os riscos globais. A retórica belicista, que ainda mobiliza setores ultranacionalistas, afasta eleitores preocupados com estabilidade, paz e cooperação internacional.
Uma base fiel, mas insuficiente
Apesar da aprovação abaixo de 40%, Trump mantém uma base política altamente mobilizada, capaz de influenciar primárias e pautar o debate público. No entanto, os números indicam que esse núcleo duro não é suficiente para garantir maioria eleitoral em um cenário nacional.
A dificuldade de ampliar apoios para além desse grupo evidencia o caráter limitado do projeto trumpista, que se sustenta mais na radicalização do que na construção de consensos. Esse modelo, eficaz para manter visibilidade, mostra-se frágil quando confrontado com a necessidade de governar para uma sociedade plural.
Impactos no cenário político
A queda de aprovação tem implicações diretas para o futuro político de Trump e para a própria direita norte-americana. Setores conservadores começam a questionar se insistir em uma liderança desgastada não compromete as chances eleitorais do campo como um todo.
Ao mesmo tempo, o enfraquecimento do ex-presidente abre espaço para disputas internas e para a reorganização do debate político nos Estados Unidos, com reflexos que ultrapassam suas fronteiras e impactam a geopolítica global.
Um sinal de esgotamento
Os índices abaixo de 40% não são apenas números isolados. Eles sinalizam um esgotamento político de um modelo baseado no confronto permanente, na desinformação e no ataque às instituições. Para analistas, a tendência indica que, embora o trumpismo continue influente, sua capacidade de se apresentar como projeto majoritário está seriamente comprometida.
Em um país marcado por profundas divisões, a rejeição crescente a Trump sugere que parte significativa da sociedade busca alternativas que priorizem estabilidade democrática, justiça social e reconstrução institucional.
