Michelle Bolsonaro pede prisão domiciliar para Jair Bolsonaro ao STF
Ex-primeira-dama apresentou ao ministro Alexandre de Moraes pedido para que o ex-presidente cumpra pena em casa, citando quadro de saúde e comparando com caso de Collor.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apresentou um **pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpra sua pena em prisão domiciliar por motivos de saúde e bem-estar familiar. A solicitação foi feita durante uma audiência em que ela expôs ao magistrado detalhes clínicos e argumentou que o marido poderia receber cuidados mais adequados em casa.
Michelle citou o caso do ex-presidente Fernando Collor, que teve prisão domiciliar humanitária reconhecida pela Corte em 2025 por motivo de saúde, como um precedente jurídico relevante para seu pedido. No encontro com Moraes, ela descreveu o regime de medicamentos e seus efeitos colaterais que, segundo ela, justificariam a mudança de regime prisional para Jair Bolsonaro.
Pedido e argumentos
Durante a conversa com Moraes, que também incluiu perguntas do ministro à ex-primeira-dama sobre a condição médica de Bolsonaro, Michelle defendeu que a situação do ex-presidente exige cuidados especiais devido à utilização contínua de medicação e risco de efeitos adversos. A defesa tem buscado apresentar evidências de que o quadro de saúde do ex-mandatário poderia justificar, em termos humanitários, a concessão da prisão domiciliar.
Aliados de Bolsonaro afirmam também que há uma mobilização política ampla para dialogar com integrantes do STF sobre a possibilidade de concessão desse benefício, com interlocuções nos bastidores para reforçar os argumentos de saúde e dignidade humana.
Negativas anteriores e contexto atual
Esse não é o primeiro pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa de Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2026, o próprio ministro Alexandre de Moraes negou um pedido anterior de prisão domiciliar, destacando que as prescrições médicas mencionadas poderiam ser atendidas no local de custódia atual e que não havia fatos novos que justificassem a mudança de regime prisional.
Desde novembro de 2025, Bolsonaro cumpre prisão preventiva no âmbito do inquérito em que foi condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2023, com uma pena de 27 anos e três meses, após ter sido preso preventivamente por descumprir medidas cautelares impostas pelo STF.
Repercussões políticas
O novo pedido de prisão domiciliar ocorre em meio a discussões intensas entre aliados e opositores de Bolsonaro sobre o tratamento judicial dado ao ex-presidente. Enquanto defensores consideram o pleito justificado por motivos de saúde e humanização da pena, críticos reiteram que a permanência no regime atual atende às exigências processuais e de segurança.
O julgamento do pedido ainda não tem data definida, e a expectativa é que Moraes analise os argumentos apresentados à luz do quadro clínico de Bolsonaro, dos precedentes jurídicos e das normas que orientam concessões de prisão domiciliar por motivos humanitários no Brasil.
