Membros do Supremo avaliam que mobilização liderada pelo deputado pode ter irritado Alexandre de Moraes e dificultado avanços sobre prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

Membros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram que a **mobilização política protagonizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pode ter reforçado resistências internas à discussão sobre uma eventual mudança no regime de cumprimento de pena de Jair Bolsonaro. Segundo desses ministros ouvidos nos bastidores, a caminhada teria sido interpretada como uma pressão explícita sobre a Corte, o que teria irritado o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

A iniciativa, conhecida como “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, é um protesto a pé que parte de Minas Gerais em direção a Brasília e tem como um de seus objetivos atrair atenção pública para a situação do ex-presidente e de outros réus ligados aos atos de 8 de janeiro de 2023. A mobilização ganhou apoio de figuras do campo conservador, mas provocou reação dentro da Corte.

STF viu movimento como pressão

Antes da mobilização, havia um ambiente de conversas discretas dentro do STF sobre a possibilidade de pelo menos analisar uma mudança no regime de prisão de Bolsonaro, considerando aspectos como saúde e tempo já cumprido de pena. A atuação de aliados como a ex-primeira-dama e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, abria pequenos canais de interlocução.

Com a realização da caminhada, no entanto, ministros teriam revisto essa leitura, interpretando o ato como uma tentativa de influenciar politicamente a atuação da Corte. A avaliação é de que conceder uma prisão domiciliar após a mobilização poderia ser visto como um recuo diante de pressão externa, criando um precedente que minaria a independência judicial.

“Com aliados desse nível, Bolsonaro não precisa de inimigos”, disse um ministro ao comentar, em tom crítico, o impacto político da mobilização nas expectativas do grupo político que ainda defendia uma transição do regime de detenção de Bolsonaro.

Repercussões políticas

A “Caminhada pela Justiça e Liberdade” tem repercutido nas redes sociais e nos meios de comunicação, reunindo apoiadores contrários às decisões do Judiciário que mantiveram o ex-presidente em regime fechado. O gesto foi visto por críticos da iniciativa como provocação direta à Corte, enquanto seus defensores afirmam se tratar de um movimento legítimo de protesto político.

O impacto desse episódio entra agora no debate mais amplo sobre as relações entre mobilizações de rua, pressão pública e atuação das instituições judiciais em um contexto eleitoral e político altamente polarizado no Brasil.

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