PGR pode denunciar Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro por incitar intervenção estrangeira e atentado à soberania
Representações pedidas por parlamentares de oposição apontam que postagens de Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro sugerem intervenção dos Estados Unidos no Brasil, num ataque à soberania e ao Estado Democrático de Direito

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve decidir nas próximas semanas sobre a **possível denúncia contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por incitação à intervenção estrangeira e atentado à soberania nacional, após representações apresentadas por parlamentares de oposição apontarem que postagens dos dois nas redes sociais extrapolaram o debate político e estimulam uma narrativa de interferência externa no Brasil.
Representações na PGR
As ações contra Nikolas e Flávio foram apresentadas por lideranças como Juliano Medeiros, ex-presidente nacional do PSOL, e pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que criticaram postagens nas quais Nikolas divulgou uma montagem que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo capturado por agentes estrangeiros, em analogia ao caso do ditador venezuelano Nicolás Maduro abatido pelos Estados Unidos.
Outra representação foi protocolada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que também aponta publicações de Flávio Bolsonaro no X com a mensagem “Lula será deletado”, acompanhada de imagens que evocam a atuação de agentes de agências estrangeiras no Brasil — situação que, para a parlamentar, configura apologia a crime e ataque à soberania nacional.
Alegações dos opositores
Nas representações, os autores argumentam que as publicações não se limitam a críticas políticas tradicionais, mas constroem uma narrativa que demonstra ou celebra a ideia de que autoridades estrangeiras teriam força para agir contra o chefe de Estado brasileiro, deslocando a competência das instituições nacionais e fragilizando o Estado Democrático de Direito perante a comunidade internacional.
Além disso, outra frente de representação, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), pediu abertura de inquérito na Polícia Federal (PF) contra os dois parlamentares, além de incluir também Eduardo Bolsonaro (PL-SP), argumentando que há uma divisão de papéis entre eles para disseminar essa retórica de ameaça externa ao Brasil.
Função da PGR e possíveis desdobramentos
Se a PGR concluir que há indícios suficientes de crime, poderá oferecer denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tanto Nikolas quanto Flávio Bolsonaro possuem foro por prerrogativa de função. Dependendo da avaliação da procuradoria, os supostos atos podem ser enquadrados como apologia a golpe de Estado, ataque à ordem constitucional e atentado contra a soberania nacional.
Repercussões políticas
O caso acontece em um momento de grande polarização política no Brasil, com debates intensos sobre a legitimidade de discursos de figuras do bolsonarismo que, além de criticarem o governo e autoridades, utilizam narrativas comparativas e simbólicas inspiradas em episódios internacionais como a intervenção norte-americana na Venezuela.
Aliados dos parlamentares investigados costumam defender que se trata de liberdade de expressão e crítica política, argumentando que a simples utilização de memes ou imagens não configura crime, postura que provavelmente será apresentada na defesa caso a PGR formalize a denúncia.
À medida que a PGR avalia as representações, cresce o debate sobre os limites do discurso político nas redes sociais de parlamentares e a necessidade de preservação da soberania nacional diante de posturas que, para opositores, ultrapassam a crítica convencional e invadem o campo de ataques simbólicos às instituições democráticas. A decisão da procuradoria pode redefinir parâmetros sobre responsabilização de autoridades eleitas por condutas nas plataformas digitais.
