Dallagnol paga indenização a Lula por PowerPoint da Lava Jato
Ex-procurador quita valor determinado pela Justiça

O ex-procurador Deltan Dallagnol quitou a indenização judicial que lhe foi imposta por danos morais ao Luiz Inácio Lula da Silva — no montante de R$ 146.847,13 — resultado da ação conhecida como “caso do PowerPoint da Lava Jato”. A quantia foi depositada na conta do tribunal responsável, formalizando o pagamento e encerrando uma fase simbólica e material desse processo histórico.
O “PowerPoint da Lava Jato” foi apresentado em 2016 por Dallagnol durante coletiva que visava justificar a acusação contra Lula no caso do tríplex do Guarujá. O slide exibido, carregado de expressões sensacionalistas — como “Petrolão + propinocracia”, “governabilidade corrompida” e a alegação de Lula como “maestro” de um suposto esquema criminoso — antecipava um veredito de culpa muito antes de qualquer condenação judicial. A Justiça considerou aquela apresentação uma “manifestação abusiva e ilegal”, violadora da honra e da imagem do ex-presidente.
Em março de 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Dallagnol a pagar R$ 75 mil por danos morais, entendendo que ele ultrapassou os limites de sua função ao utilizar linguagem não técnica e imputar acusações que sequer constavam na denúncia formal. Posteriormente, com correção monetária e juros, o valor foi reajustado para os cerca de R$ 135 mil definidos em 2025 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A quitação do montante encerra essa etapa jurídica e marca simbolicamente um reparo — ainda que pequeno — aos danos de reputação e institucionalidade causados à democracia brasileira.
Mais que mera transação financeira, o pagamento representa uma vitória simbólica contra o chamado “lawfare” — o uso do aparato jurídico-midiático para perseguir adversários políticos sob o pretexto anticorrupção. A estratégia da Lava Jato, que se venerou como paladina da moralidade pública, recorreu a artifícios midiáticos e judiciais para manipular a opinião pública e destruir reputações antes de julgamentos justos. O reconhecimento judicial de que tudo isso foi abuso é um passo importante na reparação histórica.
Para muitos analistas de esquerda e defensores da democracia, a quitação da indenização confirma que o Estado de Direito — ainda que tardia e incompleta — pode funcionar como instrumento de justiça e reparação. O episódio do PowerPoint, durante anos, serviu como catalisador de um ódio institucionalizado, contribuindo para legitimar a prisão política de Lula e o golpe jurídico-parlamentar que levou à ascensão da extrema-direita no país. Agora, com esse pequeno gesto concreto, se acende a esperança de que a justiça simbólica também possa significar reconquista institucional.
Mas vale lembrar: o valor da indenização é ridículo diante dos danos causados — pessoais, políticos e sociais — a Lula, ao PT, e sobretudo à democracia brasileira. A humilhação midiática, o encarceramento injusto, a retórica de ódio e a facilitada ascensão de forças antidemocráticas não se achatam com dinheiro. A reparação simbólica existe, mas a reconstrução da institucionalidade democrática no Brasil exige mais — exige memória, resistência e mobilização popular contínua.
Este pagamento deve servir como alerta permanente: o uso do judiciário e da mídia para fins políticos — mesmo disfarçado de combate à corrupção — deve ser denunciado, combatido e, sempre que possível, reparado. Para que nunca mais a democracia brasileira seja refém de cenários forjados e convicções midiáticas.

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