"sem a lei não tenho mais esperanças de ter contato com meu filho, mas levo comigo quem tirou aquilo que mais amo"

Nesta semana, deputadas como Sâmia Bomfim comemoraram a aprovação, no Senado, do projeto que revoga a Lei da Alienação Parental. A celebração foi apresentada como uma vitória contra a revitimização feminina. No entanto, em espaços frequentados por pais e mães alienados — pessoas que há anos lutam apenas pelo direito de conviver com seus filhos — a reação foi de desespero profundo, marcada por relatos de sofrimento psíquico extremo e sensação de abandono institucional.

Mas ignorar esse sofrimento também não é solução. O que está em jogo aqui é uma pergunta que segue sem resposta no plenário e nas manchetes: e a criança?
Quem fala pela criança que perde o pai, a mãe, os avós, os tios, os primos — toda uma rede afetiva — não por violência, mas por manipulação emocional e judicial? Quem defende o direito infantil ao vínculo, à memória e à identidade?

A atual lei da alienação parental não tem como objetivo a reversão automática de guarda, como frequentemente se afirma de forma enganosa. Seu núcleo é o estabelecimento do convívio, a proteção do laço e a interrupção de práticas que transformam filhos em instrumentos de disputa. Ao revogar a lei sem substituí-la por mecanismos eficazes, o Estado retira a única esperança institucional de milhares de famílias.

O resultado previsível não é a proteção das mulheres, mas a radicalização das ações que agora surge nos grupos de pais alienados como promessa de um”suicídio útil“: “sem a lei não tenho mais esperanças de ter contato com meu filho, mas levo comigo quem tirou aquilo que mais amo” disse um dos participantes e em resposta outro participante escreveu “todos os soldados desta causa devem resistir e lutar até o último momento, mas se faltar forças jamais se mate e deixe vivos aqueles que lhe tiraram a vida: nenhuma lei pode prender aquele que já morreu” e a pergunta que fica é: e a criança? O Estado que antes já condenava a criança a viver longe do pai e condenava vários pais ao suicídio agora instrumentaliza formas de aumentar o feminicídio. Por quê? A resposta está na tradição política mundial. É preciso um inimigo para ser norte de sua campanha politica já que a fome não apavora mais, a decisão de alguns politicos brasileiros é incentivar o suicídio para prometerem pautas para reduzir o suicídio que eles mesmos estão trabalhando para aumentar.

Transformar o debate sobre alienação parental em arma eleitoral é uma irresponsabilidade histórica. Nenhuma política pública pode ser construída sobre o apagamento da infância nem sobre a instrumentalização da dor. Proteger mulheres e proteger crianças não são agendas opostas — e apresentá-las como tal é um erro que cobra um preço humano alto demais.

Na Itália, o princípio da bigenitorialità parte de um eixo simples e inegociável: a criança tem direito à convivência com ambas as famílias — a do pai e a da mãe. A legislação italiana não nasce para punir mulheres, proteger agressores ou inverter guardas, mas para assegurar que conflitos conjugais não rompam os vínculos afetivos essenciais ao desenvolvimento infantil. O foco não é o adulto. É a criança.

Esse ponto, no entanto, vem sendo progressivamente distorcido no debate político brasileiro. A alienação parental passou a ser tratada não como um fenômeno relacional que pode ser praticado por qualquer genitor, inclusive pelo pai, mas como uma ferramenta ideológica supostamente criada para revitimizar mulheres. Essa simplificação empobrece o debate e apaga deliberadamente a existência da criança como sujeito de direitos.

A pergunta final permanece, incômoda e necessária: quem está realmente defendendo a criança?

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