Condenado por participação na trama golpista, ex-chefe da Abin teria deixado o país mesmo com passaporte retido por ordem de Alexandre de Moraes, e PSOL vê risco direto à execução da pena

Para o PSOL, a presença de Ramagem em Miami é incompatível com qualquer alegação de “equívoco” ou “mal-entendido”. No pedido enviado ao STF, os parlamentares afirmam que o conjunto de fatos “indica fuga do território nacional” e caracteriza descumprimento direto de decisão da Corte. A legenda pede prisão cautelar imediata, alegando que a liberdade do deputado, nas atuais condições, representa risco evidente para a efetivação da condenação.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência no governo Bolsonaro, Ramagem foi sentenciado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista que tentou subverter o resultado das eleições e atacar as instituições democráticas. Ele recorre em liberdade, justamente sob o regime de medidas restritivas que agora parecem ter sido rompidas.

O momento político e processual aumenta o peso do episódio. A suposta fuga ocorre às vésperas da fase final de tramitação da ação penal, quando o STF se prepara para decidir sobre a execução das penas de Ramagem e de outros condenados do núcleo central do golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, a Primeira Turma rejeitou recursos dos primeiros réus, reduzindo o espaço de manobra das defesas e aproximando o horizonte das prisões definitivas.

Ao ser questionada, a defesa de Ramagem informou que não vai se pronunciar. O silêncio contrasta com a estratégia habitual do bolsonarismo, que costuma transformar qualquer ato do STF em palanque contra a Corte. Dessa vez, porém, as imagens do deputado em Miami falam por si: colocam em xeque o discurso de “perseguição” e evidenciam o grau de disposição de setores da extrema direita em desafiar frontalmente decisões judiciais.

O pedido do PSOL empurra o Supremo para um ponto de tensão máximo: se a Corte entender que houve violação clara das cautelares, a prisão de Ramagem passa a ser não apenas uma possibilidade jurídica, mas um recado político direto ao bolsonarismo de que a etapa da fanfarronice com tornozeleira e discurso vitimista está chegando ao fim. Se o STF recuar, o risco é outro: sinalizar que até mesmo um condenado em processo final de tramitação pode testar os limites da lei, embarcar para Miami e voltar quando e se achar conveniente.

No centro desse tabuleiro está a pergunta que interessa ao país: até onde o sistema de Justiça está disposto a ir para garantir que as condenações da trama golpista não se tornem apenas peças de retórica enquanto seus protagonistas circulam pelo exterior como se nada tivesse acontecido.

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1 comentário em “PSOL pede prisão de Alexandre Ramagem após deputado ser flagrado em Miami e desafiar decisão do STF

  1. Gente, para tudo porque quero descer. Não aguento mais, Deus me livre, me poupem! Já sou idosa, tenho dívidas que nunca são perdoadas, sofro por isso, e essa gente bandida faz o que quer e nunca acontece nada!!!! Ah, querem saber? CANSEI.

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